
DIOGO CÃO: BIOGRAFIA
São
muito pouco os dados que temos sobre Diogo Cão, não se sabe o nome dos seus
pais, mas sabem-se o nome do seu avô, Gonçalo Cão. Pensa-se que nasceu em
Vila Real, onde existe ainda uma casa que se pensa que terá sido a sua.
Não se sabe nada sobre a sua infância, nem da sua adolescência, os primeiros vestígios que sabemos da vida dele, são da sua juventude.
Entrou ao serviço da casa de D. Henrique, onde foi escudeiro e depois cavaleiro. A ligação dele ao infante tê-lo-á iniciado no conhecimento das coisas do mar, e a sua juventude foi dedicada às tarefas marítimas.
A sua primeira viagem deu-se em 1482, um ano depois de D. João II Ter subido ao trono.
O rei tinha como objectivo encontrar a passagem do Oceano Atlântico para o Índico. Diogo Cão comandava uma armada cujo objectivo era reconhecer a Costa Africana e tentar descobrir essa passagem que abria a possibilidade de ir á Índia por via marítima.
Diogo Cão levava mantimentos para uma longa viagem, numerosos artigos para serem oferecidos aos reis indígenas que encontrasse, e padrões de pedra que se empregariam pela ia vez, substituindo as antigas cruzes de madeira que marcavam as novas terras descobertas
A viagem para além do cabo de Santa Catarina (actual Zaire), foi feita junto à costa, processo que permitia o seu registo em mapas e minimizar os riscos de uma viagem em zona desconhecida. A medida que avançavam para sul cada vez havia mais correntes de água, denunciadoras da foz do Grande Rio( Rio Zaire) que os navegantes chamavam de rio poderoso.
A fins de Maio de 1483 de acordo com as instruções que o rei recebera, Diogo Cão escolheu alguns dos seus homens e enviou-os com alguns presentes como embaixadores ao rei do Congo. Entretanto a viagem prosseguia até ao início da costa do pais que hoje é chamado de Angola, tendo, junto a um cabo que fazia tamanha cavatura que Diogo Cão julgou ser a passagem para o Oceano Indico. Apressou-se a regressar, passando pelo rio Zaire para recolher a sua embaixada e trazer as notícias da sua descoberta ao rei. Não tendo encontrado os seus homens julgou terem sido mortos e embarcou alguns negros para mostrar a D. João II.

Chegando a Portugal, D. João II, reconhecendo os serviços por ele prestados, tanto nas partes da Guiné, como em outros lugares, concedeu-lhe um ordenado anual de 10.000 reais, autorizando-o a usar um brasão de armas onde figuram os padrões que deixou enterrados em África. Seis dias depois era-lhe passada a carta de enobrecimento não só por causa dos seus serviços, mas também pelos serviços que tinham sido prestados pelo seu avô, Gonçalo Cão, em tempo de D. João I nas lutas contra Castela, e ao seu pai no reinado de D. Afonso V. A notícia da descoberta da passagem para o Oceano Índico chegou a Roma onde o nosso embaixador Vasco Fernandes a comunicou ao papa.
D. João II desejoso de manter relações com o rei do Congo envia Diogo Cão na 28 viagem, Diogo Cão foi bem recebido, trocou com eles presentes e o rei prometeu converter-se.
De seguida Diogo Cão embarcou para o Cabo de Sta Maria. Aí teve uma grande desilusão: ali não terminava a costa Africana.
Regressou a Portugal com essa má noticia e D. João II não o perdoou e nunca mais o chamou para outra missão.
Clube de História Local
A Vida de Carvalho Araújo
José Botelho de Carvalho Araújo, filho de José de Carvalho Araújo, e D. Margarida Ferreira Botelho de Araújo, nasceu a 18 de Maio de 1881, na freguesia de São Nicolau, da cidade do Porto onde seus pais, que viviam em Vila Real, se tinham deslocado em visita a familiares. Casou a 13 de Janeiro de 1906 na Igreja paroquial de S. Dinís com Ester Ferreira Abreu .
Frequentou a escola primaria e o liceu de Vila Real tendo feito em 1897/98 os preparatórios na Academia Politécnica do Porto, parra ingressar na escola Naval, onde assentou praça, como aspirante de Marinha, em 12 de Outubro de 1895.
Foi Guarda Marinha em 1903, 2º Tenente em 1905, 1º Tenente em 1915, e Capitão Tenente (título póstumo) em 1918. Teve as seguintes condecorações: Medalha de Cobre de Filantropia e caridade (socorros e naufrágios), Medalha Militar de Prata, de comportamento exemplar, Medalha de Prata comemorativa das campanhas do exercito Português, tendo na respectiva passadeira a legenda " Sul de Angola 914/915 ".
A titulo póstumo foi condecorado com a Cruz de Guerra de 1ª classe, Medalha de Prata comemorativa das campanhas do exercito Português no mar 1916/17/18 e condecorado com o 2º Grau da ordem da Torre e Espada sendo diversas vezes louvado.
Participação Portuguesa na 1ª Guerra Mundial
A participação na 1ª Guerra Mundial por Portugal foi uma decisão difícil, porque a opinião publica estava dividida em campos opostos, os que defendiam a neutralidade e os que defendiam a intervenção ao lado dos aliados. Os intervencionistas consideram que essa era a única forma de quebrar o isolamento de Portugal e principalmente de garantir a posse das colónias Africanas, face as ambições quer da Alemanha quer da Inglaterra.
Em 1916 o governo Republicano enviou um Continente de cerca de 200 mil homens para a Angola e Moçambique, que tinham fronteiras com colónias Alemãs. Portugal interveio na Bélgica, mais propriamente em Flandres.
A intervenção de Portugal na Guerra, exigiu um enorme esforço militar e humano que, do ponto de vista interno agravou as dificuldades económicas e aumentou o descontentamento por parte de sectores importantes da população. Foi ainda responsável por uma maior agitação política, que levou mesmo a um período de ditadura ( 1917/18 ) sobe a chefia do Major Sidónio Pais.
Foi a intervenção no conflito mundial, que deu a Portugal o direito de, na conferencia de paz, ser reconhecido como um dos países vencedores, ao mesmo tempo que lhe era garantida internacionalmente a posse das suas colónias africanas.
Os Acontecimentos ligados a Morte
de Carvalho Araújo
José Botelho de Carvalho Araújo faleceu no dia 14 de Outubro de 1918 no seu posto em combate contra os Alemães, na Ponte do Caça - Minas ( Augusto Castilho ), que nesse dia em plena 1ª Guerra Mundial escoltava o vapor São Miguel, no mar dos Açores que navegava do Funchal para Ponta Delgada.
O heroísmo do Comandante Carvalho Araújo no pequeno barco Português, que ao serem atacados pelo submarino Alemão U.139 de 1500 toneladas , não se opôs em atacar, para salvar o barco com 206 pessoas e aguentou durante 2 horas, dispondo apenas de duas peças de artilharia de proa que investiu contra a unidade poderosamente armada de 6 tubos lança-torpedos e de dois canhões de tiro rápido com calibre de150milimitros , surpreendendo o comandante do submarino, que registou em termos elogiosos.
Entretanto o São Miguel afastava-se do perigo , embora o glorioso militar tivesse o fim que a si próprio impôs :" hei-de morrer como Português ".
A reacção à Morte de Carvalho Araújo
em Vila Real
Carvalho Araújo, um herói vilarealense é recordado, num monumento (da autoria do escultor, Anjos Teixeira), inaugurada em 1924, existente na Avenida com o seu nome, em Vila Real. Carvalho Araújo obteve várias condecorações , ao longo da sua curta vida militar .Entre elas avultam a Cruz de Guerra de 2ª Classe e o II Grau da Ordem de Torre Espada , concedidas postumamente.
Clube de História Local